Justiça Federal decide: Limite de renda do INSS não é barreira absoluta para o BPC de autistas; saiba como deduzir gastos do cálculo

Muitas famílias brasileiras que convivem com o Transtorno do Espectro Autista (TEA) enfrentam uma realidade cruel: ao solicitar o Benefício de Prestação Continuada (BPC/LOAS) no INSS, recebem um “não” quase automático.O motivo? A fria letra da lei administrativa que exige que a renda por pessoa da família seja inferior a 1/4 do salário mínimo (cerca de R$ 353,00 em 2024).Para o INSS, se o pai ganha um salário mínimo e meio e a mãe não trabalha para cuidar do filho, a família já é considerada “rica” demais para receber o auxílio. No entanto, quem vive o dia a dia do autismo sabe que a conta não fecha. O que o perito do INSS não vê é que essa renda, que no papel parece suficiente, é corroída por gastos invisíveis para o governo, mas essenciais para a criança.A Virada no Judiciário: A Tese da Renda RelativaA boa notícia é que o Poder Judiciário tem um entendimento muito mais humano e realista do que o INSS. Tribunais Federais em todo o país já consolidaram o entendimento de que o limite de 1/4 do salário mínimo não é absoluto.Advogados especialistas em Direito Previdenciário explicam que a “miserabilidade” não pode ser medida apenas por uma calculadora. É preciso analisar a miserabilidade social.Se a família comprovar que, mesmo ganhando acima do limite, o dinheiro não sobra devido aos custos do tratamento, o juiz pode obrigar o INSS a conceder o benefício.O Poder das Deduções: O que pode ser abatido da renda?Aqui está o “pulo do gato” que a maioria das famílias desconhece. Em um processo judicial bem estruturado, é possível abater da renda bruta familiar os gastos que o SUS ou o Estado não fornecem.Os principais itens que podem zerar o cálculo da renda perante o juiz são:Como funciona na prática?Imagine uma família com renda de R$ 3.000,00. Pela regra do INSS, eles nunca teriam direito. Porém, ao comprovar que gastam R$ 1.200,00 mensais com o tratamento e cuidados do filho, a renda disponível cai drasticamente. Para a Justiça, a renda real dessa família é de R$ 1.800,00, o que muda totalmente o cenário de elegibilidade.O Papel do Advogado EspecialistaNão basta apenas juntar notas fiscais de qualquer jeito. A construção dessa prova exige técnica. É necessário demonstrar que o Estado falhou em prover esses itens gratuitamente, justificando o gasto da família.Se você teve seu benefício negado por causa da renda ou tem medo de pedir e ouvir um não, o caminho judicial é a porta de esperança. Procure assessoria jurídica.